Joint Operations

 

Introdução:

A série Delta Force nunca esbanjou, maravilhou e tão pouco revolucionou o gênero dos First Person Shooters. Desde a primeira edição, DF se popularizou por dedicar-se a quantidade de participantes simultâneos, em seus enormes campos de batalhas que acolhiam dezenas de jogadores em guerras épicas. Num momento de estrelato, vieram outras continuações, que mesmo não alavancando muito o sucesso da série, continuou a alimentar os seus antigos fãs que jamais deixaram de conferir uma nova versão.

Porém o mercado acirrou, e a quantidade de bons games FPS voltados para o modo multiplayer em massa atingiu patamares recordes. E, para evitar que Delta Force fosse referência de um título antigo – o que de fato é – a Novalogic traz Joint Operations: Typhoon Rising, um game com as mesmas intenções de DF e que, sem muitas máscaras, apenas mudou o nome do rótulo. Já o conteúdo...

Jogabilidade:

Se os títulos atuais do porte dos shooters estratégicos são todos iguais, Joint Operations aproveitou a onde e virou “mais um” na prateleira. Ele traz as mesmas características de games como Battlefield e outros multiplayer massivos, mas o seu suporte para até 150 jogadores é realmente algo inovador. Os campos recheados de soldados de diversas nações são interessantes de se ver, mas, estranhamente, muito raro de se encontrar. Isso porque a imensidão do cenário, também outro ponto relevante e peculiar do jogo (são quase 50 quilômetros quadrados cada mapa), espalha e situa os participantes em pontos diferentes do mapa, tornando difícil que todos se encontrem e se concentrem em apenas um só local.

Diferente do tradicional, Joint Operations não tem uma campanha single-player para se praticar em solo, revelando que sua dedicação foi exclusivamente para o modo multi-jogadores. Ao invés de um tutorial, o menu dispõe de algumas aulas de treinamento, com objetivos que se assemelham as mesmas missões nas batalhas online, porém contra BOTs nem tão desafiadores assim. Essas práticas ensinam a utilizar as diferentes classes do jogo (médico, engenheiro, armamento pesado, metralhador e sniper) e as mais diversas patrulhas móveis, como helicópteros, balsas, tanques, caminhões e lanchas. O interessante fica por conta destas máquinas, que são fáceis de se manusear e muitas delas chegam a comportar mais de oito unidades, capacidade que foi propositalmente estabelecida para transportar o maior número de soldados possíveis, já que os objetivos estão a quilômetros de distância um dos outros. Por mais fácil que seja controlar os veículos, se ele não estiver em suas mãos, o computador muitas vezes acaba decepcionando na performance de aterrissagem, ou na procura de um ponto estratégico para pousar; desprovido de uma boa IA, o piloto-computador opta muitas vezes por enfrentar a infantaria inimiga de frente, ao invés de descarregar primeiramente seus soldado a alguns metros dali: sem muitos mistérios, todos viram alvo fácil do instinto kamikase dos BOTs.

O arsenal é uma das boas qualidades do game, relembrando que cada classe de personagem ostenta armas distintas. Armamento pesado é um dos mais utilizados, até mesmo pelo computador, que dá de brinde uma devastadora bazuca peculiar a esta classe. Médicos e engenheiros atuam mesmo como auxiliares, levando em conta que o segundo é fundamental em determinadas missões nas quais só eles podem realizar o objetivo, como desarmar uma bomba, ou desativar algum mecanismo. A classe sniper neste game não é um favorito absoluto, pois, com cenários que descrevem arquipélagos cercados de água por todos os lados, o sniper não tem muito para onde se esconder quando está invadindo uma ilha em que se poder ver o outro lado de uma borda a outra. Todo armamento tem um leve zoom com o botão direito do mouse, que, em teoria, aprimora e estabiliza a mira no disparo; só que na prática é bem diferente, e com batalhas tão frenéticas, esta função às vezes pode ser ignorada.

Sem danos muito coerentes (não há head-shot), tanto no single como no multiplayer, é comum ser atingido por balas perdidas, pois por muitas vezes é impossível localizar dentro de uma densa floresta quem foi que lhe acertou. Mesmo selecionando a visão em terceira pessoa, outro mau negócio, é muito difícil descobrir o infeliz que fez o disparo. Com pouca emoção no modo para um jogador, o negócio é partir para a batalha contra jogadores reais nas disputas online.


Áudio:

Ausente de músicas – e como não poderia ser de outra maneira – Joint Operations é um show de estrondos e onomatopéias. Em um âmbito em que os tiros e explosões deveriam supostamente se destacar, quem realmente ganha o áudio são os veículos de combate. Mesmo nos combatentes em que se trocam balas e pólvoras simultaneamente a todo instante, o barulho dos motores dos helicópteros são percebidos de longe; basta chegar qualquer patrulha móvel que sua origem é facilmente notada (se você possuir um sistema 4.1 pra cima, a sensação é muito recompensada).

Apesar das barulhentas máquinas, as vozes também se sobressaem, numa mescla de nacionalidades e imitações baratas. Ordens básicas, como “I need a medic!” ou “Attack!” são soletradas no bom e universal inglês, porém com sotaques mal dublados com o intuito de simular gringos na ativa. A idéia foi boa para atrair o público estrangeiro, numa forma de identificar o usuário e seu país com o seu personagem, contudo a criatividade não foi nada muito além disso.


Multiplayer:

E a razão de existir de Joint Operations está no modo multi-jogador, já que, sem ele, nada teria sentido. Como mencionado anteriormente, as salas conseguem suportar até 150 jogadores simultâneos, o que não é pouca coisa. Mesmo com tanta gente, a presença de brasileiros é escassa, nos restando como opção desafiar gringos e desconhecidos.

As opções dos personagens são bastante customizáveis, cabendo a você escolher o país do seu soldado, suas características, nacionalidade e outras minúcias supérfluas para quem não leva tão a sério. Após definir de qual lado você lutará (o bem, das Nações Unidas, ou o mau, dos rebeldes), selecione um dos quatro modos multiplayers: Cooperative, que reúne jogadores a lutarem juntos em missões contra o computador, Advance e Secure, no qual o objetivo é expandir suas bases, dominá-las e assegurá-las do inimigo, Team Deathmatch, que prima pelo tradicionalíssimo mata-mata em equipe, e Team King of The Hill, um modificado Domination cujo vencedor é o time que dominar um determinado ponto num tempo pré-estimado.

Independente da modalidade escolhida, cooperação é a palavra-chave deste multiplayer. Em cenários exageradamente vastos, o jogador que estiver pilotando um helicóptero, por exemplo, deve sempre esperar o maior número de soldados subir no veículo, promovendo uma ofensiva mais efetiva ao descarregá-los no local de ataque; e caso todos os helicópteros da base estiverem em uso, o jogador que não conseguir uma “carona” com eles, poderá ter que esperar longos minutos aguardando o próximo surgir, ou tentar alcançar o objetivo de balsa ou qualquer outro meio de transporte, que dependendo da velocidade, chegará atrasado demais. Interessante é que a grande maioria dos participantes é consciente e paciente quanto a este assunto, fazendo deste multiplayer uma diversão respeitada e bem proveitosa. A Novaworld, comunidade on-line da Novalogic, concentra todas estas partidas em um só programa, dando bom acesso a participantes de todo mundo (se a sua conexão também cooperar).


Gráficos:

Procurando se distanciar do que foi visto e tão utilizado em Delta Force, o trabalho gráfico em Joint Operations fora criado exatamente para evitar a saturação dos olhos dos jogadores. Ainda que melhoras significativas estejam bastante evidenciadas, não há como não relacioná-lo a antiga engine de DF. Os mais de 50 quilômetros quadrados exibem, em sua maioria, arquipélagos ou praias divididos pela imensidão de água. Os cenários têm uma variação interessante, indo de ilhas paradisíacas, até pântanos escuros. Efeitos bem concluídos, como os de luzes, e cores fortes descrevem a bela flora e terrenos indonesianos, assim como os reflexos e a movimentação da água, que se mexe realisticamente até com as hélices de um helicóptero se aproximando. Os armamentos e veículos ficaram bonitos, entretanto as maquinas exibem poucos detalhes em sua estrutura interna, acontecendo o mesmo com os objetos em geral. Efeitos de neblinas e fumaças são uma das melhorias da Novalogic, trazendo partículas mais consistentes do que as vistas em Delta Force. As explosões e os impactos dos disparos também estão notáveis, mas ainda continuam longe do que jogos do mesmo estilo apresentam atualmente. O mesmo pode se dizer dos personagens, que apresentam uma movimentação mecânica e pouco realista, e skins nem tão belas assim.

Mesmo com tantas opções visuais em seu menu, Joint Operations trouxe sérias incompatibilidades com placas da ATI. Um dos mais graves é o problema com o sistema de FSAA, que não permite aos usuários que possuem placas de vídeo da família Radeon rodar o game com os efeitos ligados, um motivo até a publicação desta review não solucionado. As 21 screenshots que disponibilizamos é um exemplo deste conflito, que só permitiu utilizar os efeitos dos filtros Anisotrópicos, não evitando os serrilhados gritantes dos objetos.


Conclusão:

Fica claro para a Novalogic que sua preferência pelo público online não a permite criar novas idéias para outros segmentos, mas sim dar aspecto e feições novas as suas antigas produções. Esta renovação comprovou as raízes do lendário Delta Force (hoje um título ultrapassado, porém ainda bastante acessado) em Joint Operations: Typhoon Rising, jogos que não esconde similaridades entre ambos, apesar de existir um espaço de anos entre os dois.

Porém, no final das contas, Joint Operations é diferente se avaliarmos o produto bruto. Ele suporta muito mais do que algumas dezenas de jogadores online numa mesma batalha, ostenta gráficos bonitos, vastos (devo repetir que são cenários com mais de 50 quilômetros quadrados?) e coloridos mapas, e possui um áudio competente capaz de trazer o jogador ao clima da batalha. Traz também veículos de todos os gêneros e quase 40 armas de fogo e de mão verídicas, que são usadas por soldados de até dez diferentes tropas especiais e rebeldes inimigos. Entretanto, se retirarmos os números, e ficarmos somente com as inovações, o que a Novalogic conseguiu de líquido neste game acaba decepcionando, pois títulos do mesmo estilo ainda são mais populares e bem vistos no mercado afora. Talvez seja esta a hora da criadora de Delta Force apostar num game para outro público-alvo, para tentar suprir um outro tipo de gosto de seus usuários, ou investir alto numa tecnologia realmente ambiciosa para os FPS massivos.